Ensinamento

A definição mais popular de magia é: "A Arte de alterar e moldar a realidade através do poder da vontade".
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quarta-feira, 25 de julho de 2012

A Roda do Ano


A Roda do Ano

Quando se aproxima o ápice do inverno, a Natureza reclama o retorno da luz do Sol, e implora a presença do Deus. A escuridão reina.
Ele, que se encontrava no submundo, após sua morte, retorna ao útero da Deusa, e é gerado por Ela, para uma nova vida.
Na noite do Solstício, Ela dá à luz o Deus, que é a Criança da Promessa. Ele retorna, trazendo esperança e renovação. Com o retorno do Sol, os dias começam a crescer e as horas de escuridão a diminuir. O Deus é glorificado em seu aspecto solar.
A Deusa é a Mãe, que carrega o Deus Criança em seu colo, e O apresenta à criação, como a promessa de um novo início, do ciclo que se renova.
Mas Ele é ainda uma criança, e deve crescer, por isso, a Deusa, que se recupera após o parto, O amamenta, protege e ensina, abrindo os caminhos para Seu retorno majestoso. À medida que a Criança da Promessa cresce com vitalidade, a luz aumenta e os dias se tornam mais longos. Renova-se a esperança e o Deus é festejado.
Depois de dar o alimento a seu filho, a Deusa torna-se então jovem, despertando a Terra para a vida, Por isso, a Deusa é a Senhora do Fogo do Conhecimento e da Inspiração.
A Deusa, que havia se entregado à carga do tempo, agora retorna à juventude, trazendo alegria para a Terra.
A Lua e o Sol equiparam-se, os Deuses são jovens e cheios de vitalidade, o dia e a noite têm a mesma duração.
O Deus é jovem e vigoroso e a Deusa é bela e fresca e os dois correm pelos campos junto com seus animais.
A Deusa está plena, e vive sua primeira menstruação. O sangue sagrado de seu útero verte sobre a Terra e a torna fértil, pronta para receber as sementes.
A vida desperta e os animais entram no cio. As plantas verdejam e florescem. A criação se rejubila com o retorno de Seus Jovens Senhores.
O Deus procura pela Deusa, sua amada, e a encontra correndo pelos campos. Ele a corteja e os dois se unem sobre a relva, sob o céu estrelado.
O Casamento Sagrado é celebrado. A Natureza está em êxtase, e se compraz com o amor de seus Senhores.
Os dois se entregam aos prazeres do amor e a semente da vida é plantada no útero da Deusa. Ela engravida, e gera o que será a promessa do retorno da vida.
O Deus se torna adulto, e em toda sua vitalidade reina soberano ao lado de Sua Senhora, que está grávida. Ela é pura satisfação e demonstra isso nas folhas verdes e lindas flores do verão.
O Sol chega a seu ápice, e o dia é o mais longo do ano.
Neste momento, o Deus inicia seu caminho em direção ao submundo, pois sua função fertilizadora está cumprida.
A natureza fenece novamente, e o frio se aproxima. O Deus começa a declinar, doando sua vida para nutrir a Criação. Ele é o grão e o animal sacrificado.
A criação agradece por suas dádivas fazendo oferendas ao Deus moribundo.
Ela é a sábia, que caminha ao lado de Seu amado, e o ampara, com amor e compaixão.
Novamente o dia e a noite têm a mesma duração e o Deus entrega seu corpo á foice do tempo.
Os últimos grãos são colhidos e armazenados para prover a criação no inverno que se aproxima.
As folhas caem e a Deusa se põe ao lado do leito de morte do Deus, que se prepara para abandonar este mundo e iniciar sua aventura rumo ao desconhecido.
A Deusa observa entre lamento e regozijo ao perceber que Ele está morrendo, ao mesmo tempo que vive dentro Dela.
A morte chega e leva o Deus para o descanso prometido.
A Natureza sofre com o frio do inverno, mas agradece o sacrifício de Seu Senhor, pois terá provisões para sobreviver ao período.
A Deusa chora a morte de Seu amado, e o procura nas brumas do esquecimento. Ela viaja aos confins do submundo, e ultrapassa os portões da morte, para trazê-lo de volta.
Ela é a sábia, que conhece todos os segredos da vida, e Ele é o Senhor da Morte, que leva todas as almas para o descanso, antes de retornarem à vida.
Ele ensina a Ela a lição de que tudo deve morrer para renascer, e Ela mostra a Ele o caminho para retornar à vida.
Ela o toma, e o coloca em seu útero, que é o Caldeirão do Renascimento, iniciando o caminho de volta, para aguardar mais uma vez o retorno de Seu amado.
E assim a Roda gira.

terça-feira, 24 de julho de 2012

A Criação


No princípio, o tudo era nada.
A única energia existente era nossa Deusa, que vagava solitária e adormecida, em Sua sabedoria infinita.
Sentindo uma calorosa luz em Sua face, Ela despertou, e ao abrir os olhos, encarou-se no espelho formado por Sua vontade única de auto-conhecimento. E Ela apaixonou-se pelo que descobriu.
No espelho, Nossa Senhora viu sua parcela masculina, existente mesmo antes do tempo ser tempo, a parcela que já existia dentro de si mesma. E Ela o amou!
O verdadeiro amor nasceu entre ambos e desse amor tudo foi criado.
Da junção de Seus corpos frenéticos explodiu o fogo, primeiro dos elementos formadores da existência, o fogo da paixão, que excita a força criadora adormecida na Deusa. E com o fogo, surgem a luz e o calor, atributos do Deus.
Assim como a Deusa e o Deus, feminino e masculino, a escuridão inicial e a luz explosiva, de Seus corpos excitados pelo fogo emanaram fluidos do quais nasceu seu contraponto – a água, pois na criação, tudo há de ter sua parcela contrária. E a água era o contrário do fogo: doadora de vida, fluida e fresca, atributos da Deusa. E por isso, a água da criação foi contida em Seu útero.
Como o fogo e a água eram incompatíveis, mesmo em sua forma mais etérea, do suspiro dos amantes, exalado no êxtase do descobrimento, nasceu o ar, elemento mediador entre os dois, ganhando do primeiro o calor e do segundo, a umidade.
Os corpos de nossos Criadores se estremeceram no ápice do amor e liberaram a energia material que, misturando-se aos três elementos iniciais, formou o elemento terra. Com a Terra, tudo o que era antes etéreo, impalpável, inodoro, incolor, tornou-se sólido, dotando tudo de peso e matéria.
Nosso Senhor e Nossa Senhora, assim unidos, tornaram-se o quinto elemento, o verdadeiro espírito.
Em meio ao êxtase universal, a Deusa descobriu uma parte de Seu corpo, ainda adormecida - Seu útero, que ao ser fertilizado pela energia criativa do Deus, gerou o Universo e a vida contida nele.
E no vasto Universo, nossos Senhores encontraram a Terra e nela depositaram uma fagulha de Sua divina inteligência, refletindo o eterno amor Deles. Desse amor surgiu a vida, presente nas pedras, nas plantas, animais e no ser humano.
A criação olhou para si mesma e notou a presença Deles em tudo, e os reverenciou, pois a beleza que está em tudo é o reflexo do amor entre nossos Criadores.
O Deus, ao notar cumprida Sua função fertilizadora, despediu-se da Deusa, e começou a caminhar para o submundo, a escuridão inicial, pois da mesma forma que para haver luz, deve haver escuridão, para ter vida, tem que existir a morte.
A criação começou a fenecer com Sua ausência e, sentindo o frio se aproximar, chorou e suplicou pelo Seu retorno.
A Deusa, sentindo a ausência de Sua luz, entristeceu-se, e desceu ao submundo, em busca de Seu amado.
Ao encontrá-lo, procurou compreender porque tudo o que Ela criou estava morrendo, e Ele ensinou-lhe o segredo da morte, que era o destino de tudo o que é vivo, e que somente Ele conhecia, e pediu para que Ela ficasse com Ele.
Mas Ela precisava voltar, para gerar a vida, e não podia ir sozinha, pois sem Ele era infértil. Mas Ele não conhecia o caminho de volta, pois somente a Deusa conhece os segredos da vida.
Então, Ela, que é o Cálice do Renascimento, O colocou em Seu útero e retornou.
Assim, o Deus se tornou a Criança da Promessa, que cresce no útero da Deusa, para renascer e reinar ao Seu lado, trazendo a luz para fertilizar a Deusa e gerar a vida novamente.
E assim foi, é e sempre será, no eterno retorno da vida.

A Descida da Deusa ao Mundo Subterrâneo

Nosso Senhor, após ver a terra fertilizada e assim, cumprida sua missão, despede-se da Deusa e inicia seu caminho rumo ao Submundo. Ele se torna o terrível Senhor das Sombras, trazendo a morte e o esquecimento. Mas junto com a morte, Ele traz o descanso, por isso, Ele é também o Consolador.
A Deusa, que é vista neste mundo como a Lua, aquela que brilha na escuridão, cresce e míngua em seu eterno ciclo. E em certo momento desse ciclo, Ela anda três noites na escuridão, pois no amor Ela sempre busca seu complemento.
E uma vez, no inverno do ano, em que Ele havia desaparecido da Terra verde, Ela o seguiu e partiu ao Submundo em sua nau, pelo Sagrado Rio da Descida.
Nossa Deusa soluciona todos os mistérios, até mesmo o mistério da morte. Assim, Ela chega, finalmente, aos portões além dos quais os vivos não entram.
Quando Ela se depara com o primeiro dos portais, seu guardião a desafia:
- Tira tuas vestes, põe de lado tuas jóias, pois nada tu podes trazer contigo ao interior desta nossa terra.
E a cada um dos portais, a Deusa teve que pagar o preço da passagem, pois nada pode ser dado sem que algo seja oferecido em troca.
No primeiro portal, Ela deixa seu cetro, símbolo do poder sobre as coisas que nos rodeiam.
No segundo portal, Ela deixa a coroa, que representa a autoridade, o status perante os círculos sociais.
No terceiro, Ela deixa seu colar, que representa a exigência por riqueza, sucessos e realizações, pois isso de nada vale no processo de reconhecimento do Espírito.
No quarto portal, Nossa Deusa deixa seu anel, símbolo de associação a uma entidade, formação acadêmica ou nível intelectual.
No quinto, Ela deixa sua guirlanda, que representa as fachadas pessoais e o que é usado para ocultar imperfeições, erros e defeitos.
No sexto portal, Ela tira suas sandálias, deixando para trás as trilhas já seguidas e as políticas anteriormente adotadas, abandonando pontos de vista atuais e preparando-se para conhecer novos.
No sétimo portal, por fim, Ela deixa suas vestes, a cobertura mortal, e uma vez removidas, o que resta é o Verdadeiro Espírito, que é somente o que entra no reino da Morte.
Por amor, Ela estava ali confinada, como todos os que ali penetram, e foi conduzida à Morte, totalmente nua e com os pulsos amarrados.
Mas tal era sua beleza que a Morte se ajoelhou e depositou sua espada e sua coroa aos seus pés, e beijando-os, disse:
- Abençoados são teus pés, pois te trouxeram por esta senda. Fica comigo, eu imploro, e deixa teu coração ser por mim tocado.
E Ela respondeu:
- Eu não te amo. Por que fazes com que todas as coisas que amo e nas quais me delicio venham a fenecer e morrer?
- Minha Senhora – respondeu a Morte – Trata-se da idade e da fatalidade, contra as quais sou impotente. A idade, o envelhecimento leva todas as coisas a definharem, mas, quando os homens morrem, ao desfecho de seu tempo, concedo-lhes repouso, paz e força. Por algum tempo, eles habitam com a Lua e com os espíritos da Lua; então podem retornar ao reino dos vivos. Mas tu, tu és linda. Não retornes, permanece comigo.
Mas Ela respondeu:
- Eu não te amo!
E então disse a Morte:
- Se não recebes minhas mãos sobre teu coração, tens que te curvar ao açoite da Morte.
- É a fatalidade, que assim seja – Ela disse e se ajoelhou.
E a Morte a açoitou brandamente.
Nesse momento, Nossa Deusa compreende a Morte e reconhece seu Amado Senhor.
- Reconheço Tua dor, a dor do amor.
Nosso Deus a ergue, dizendo:
- Seja abençoada, Minha Rainha!
E Ele lhe deu o beijo quíntuplo de iniciação, dizendo:
- Somente assim podes ambicionar sabedoria e prazer.
Então, o Deus desamarra seus pulsos, depositando o cordel no chão.
A Deusa toma a coroa e a recoloca na cabeça do Senhor do Mundo Subterrâneo. Ele transforma a coroa em um colar, representando o Círculo do Renascimento, e o coloca no pescoço Dela, ensinando-lhe todos os seus mistérios.
O Senhor do Submundo toma o açoite em sua mão esquerda e a espada em sua mão direita e fica na posição do Deus, antebraços cruzados sobre o peito, espada e açoite apontados para cima.
Ela fica na posição da Deusa, pernas abertas e braços estendidos, formando o pentagrama e ensina a Ele o mistério da Taça Sagrada, que é o Cálice, o Caldeirão do Renascimento.
A Deusa toma o cálice em ambas as mãos, Eles se entreolham e Ele coloca suas mãos nas Dela. Ela toma o cordel e amarra as mãos dos dois ao redor do cálice.
- Através de você todos saem da vida, mas através de mim todos podem renascer. Tudo passa, tudo muda. Mesmo a Morte não é eterna. Meu é o Mistério do Ventre, que é o Caldeirão do Renascimento. Penetre em mim e me conheça, e estarás liberto de todo o medo. Pois se a vida é somente uma passagem para a morte, a morte é somente uma passagem de volta para a vida e, em mim, o círculo sempre gira.
E Eles se amaram e se tornaram um. Ele penetrou-a e, assim, renasceu para a vida.
Assim, há três grandes mistérios na vida do homem: sexo, nascimento e morte, e o amor controla todos. Para realizar o amor, tens que retornar ao mesmo tempo e local dos que amaram antes; e tens que encontrá-los, conhecê-los, lembrá-los e amarrá-los de novo. E para renascer, tens que morrer e ser preparado para um novo corpo. E para morrer, tens que nascer, e sem amor não podes nascer.
E Nossa Deusa sempre se inclina para o amor, o prazer e a alegria. Ela protege e cuida de suas crianças ocultas nesta vida e na próxima. Na Morte, Ela revela o caminho que leva à comunhão com Ela, e na vida, ensina a magia do Mistério do Círculo Mágico, existente entre os mundos dos homens e dos Deuses.
E assim, nós somos ensinados a cada começo da Roda do Ano, em que o Senhor e a Senhora compartilhamo comando do ano, cada um oferecendo e compartilhando de equilíbrio para com o outro.

O Nascimento de Vênus


          A véspera do nascimento de Vênus fora um dia violento. O firmamento, tingindo-se subitamente de um vermelho vítreo, enchera de espanto toda a Criação. Saturno, munido de sua foice, enfrentara o próprio pai, o Céu, num embate cruel pelo poder do Universo. Com um golpe certeiro, o jovem deus arrancara fora a genitália do pai, tornando-se o novo soberano do mundo. Um urro colossal varrera os céus, como o estrondo tremendo de um infinito trovão, quando o Céu fora atingido.
          O fecundo órgão do deus deposto, caindo do alto, mergulhara nas águas profundas, próximo à ilha de Chipre. Assim, o Céu, depois de haver fecundado incessantemente a terra — dando origem à estirpe dos Deuses olímpicos -, fecundava agora, ainda que de maneira excêntrica e inesperada, o próprio Mar.
          Durante toda a noite o mar revolveu-se violentamente. A espuma do mar, unida ao sangue do deus caído, subia ao alto em grandes ondas, como se lançasse ao vento os seus leves e espumosos véus. Mas quando a Noite recolheu finalmente o seu grande manto estrelado, dando lugar à Aurora, que já tingia o firmamento com seus dedos cor-de-rosa, percebeu-se que as águas daquele mar pareciam agora outras, completamente diferentes.
          O borbulhar imenso das ondas anunciava que algo estava prestes a surgir.
          Das margens da ilha de Chipre, algumas ninfas, reunidas, apontavam, temerosas, para um trecho agitado do mar:
          — O mar está prestes a parir algo! — disse uma delas.
          — Será algum monstro pavoroso? — disse outra, temerosa.
         Mas nem bem o sol lançara sobre a pátina azulada do mar os seus primeiros raios, viu-se a espuma, que parecia subir das profundezas, cessar de borbulhar. Um grande silêncio pairou sobre tudo.
          — Sintam este perfume delicioso! — disse uma das ninfas.
          As outras, erguendo-se nas pontas dos pés, aspiraram a brisa fresca e olorosa que vinha do alto-mar. Nunca as flores daquela ilha haviam produzido um aroma tão penetrante e, ao mesmo tempo, tão discreto; tão doce e, ao mesmo tempo, tão provocantemente acre; tão natural e, ao mesmo tempo, tão sofisticado.
          De repente, do espelho sereno das águas — nunca, até então, o mar tivera aquela lisura perfeita de um grande lago adormecido — começou a elevar-se o corpo de alguém.
          — Vejam, é a cabeça de uma mulher! — gritou uma das ninfas.
          Sim, era uma bela cabeça — a mais bela cabeça feminina que a natureza pudera criar desde que o mundo abandonara a noite trevosa do Caos. Um rosto perfeito: os traços eram arredondados onde a beleza exigia que se arredondassem, aquilinos onde a audácia pedia que se afilassem e simétricos onde a harmonia exigia que se emparelhassem.
          O restante do corpo foi surgindo aos poucos: os ombros lisos e simétricos, os seios perfeitos e idênticos — tão iguais que nem o mais consumado artista saberia dizer qual era o modelo e qual a sua réplica perfeita. Sua cintura, com duas curvas perfeitas e fechadas, parecia talhada para realçar o umbigo perfeito, o qual acomodava delicadamente, como um encantador pingente , uma minúscula e faiscante pérola. E, logo abaixo, um véu triangular — loiro e aveludado véu -, tecido com os mais delicados e dourados fios, agitava-se delicadamente, esbatido pela brisa da manhã. Nenhum humano podia saber ainda o que ele ocultava — seu segredo mais cobiçado, que somente a poucos seria revelado.
          Algumas aves marinhas surgiram, arrastando uma grande concha, a qual depositaram ao lado da deusa — sim, era uma deusa -, para que ela, como em um trono, se assentasse. Um marulhar de peixes saltitantes a cercava, enquanto golfinhos puxavam seu elegante carro aquático até as areias da praia cipriota.
          Nem bem a deusa colocara os pés na ilha, e toda ela verdejou e coloriu-se como nunca antes havia sido. Por onde ela passava, brotavam do próprio solo maços aromáticos de flores multicores, os pássaros todos entoavam um concerto de vozes perfeitamente harmoniosas e os animais quedavam-se sobre a relva com as cabeças pendidas, para receber o afago daquela mão alva e sedosa.
          — Quem é você, mulher mais que perfeita? — perguntou-lhe, finalmente, a ninfa que primeiro recuperara o dom da fala.
          — Sou aquela nascida da espuma do mar e do sêmen divino — respondeu a deusa, com uma voz cristalina e docemente áspera, envolta num hálito que superava em delícia ao de todas as flores que seus pés haviam feito brotar.
          No mesmo dia, a extraordinária notícia do nascimento de criatura tão bela chegou ao Olimpo, e os Deuses ordenaram que as Horas e as Graças a fossem recepcionar. Ainda mais enfeitada pelas mãos destas caprichosas divindades, apresentou-se a nova deusa diante de seus pares no grandioso salão do Olimpo, sendo imediatamente acolhida e festejada pelos deuses. 
          
          Mas quando todos ainda se perguntavam quem seria, afinal, aquela criatura encantadora, um descuido — seria, mesmo? — pôs fim a todas as indagações. Pois o véu que a envolvia, descendo-lhe até os pés, revelara o que nenhum dos embelezamentos artificiais pudera antes realçar: a sua infinita beleza original.


          — E Vênus, sim, a mais bela das deusas! — disse o coro unânime das vozes.

Lendas e Mitos


As Lendas são as formas mais simples de manter e ensinar os mistérios da Arte. Através de pequenos contos ou formas simbólicas de representar um acontecimento os povos vêm durante as eras ensinando sua cultura, suas religiosidades, e criando uma forma bonita e fácil de manter vivo o conhecimento na mente das pessoas, até daquelas que não dispõem de um bom nível educacional.
Na Wicca as lendas são uma forma direta de passar ensinamentos, ou de embelezar suas crenças, às vezes criamos lendas para coisas que possuem uma explicação direta e simples, mas como a lenda nos obriga a refletir e indagar, os sacerdotes possuem uma preferência por ensinar os neófitos através de lendas. Logo, quando ler algum conto wiccano dedique tempo para uma boa reflexão e tente encontrar ali ensinamentos, pois com certeza todas as lendas possuem informações importantíssimas.

"Família Old Religion"